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Solilóquio

Posted by Diana Magnavita on 10:59


Eu só estou cansada de tantos rostos, de tantas vozes, de tantos sorrisos. De estar sempre bonita, de me esforçar para estar amigável. Não estou deprimida, apenas cansada de me empenhar para me satisfazer com o outro. Esse momento pareço estar preferindo o silêncio do meu coração, a balada do eu sozinho, a imaginação dos meus pensamentos, dos meus livros, dos meus anseios. Não há nenhum problema em estar sozinho, não existe dor em se fechar para o mundo por algum tempo e fazer uma reunião consigo mesmo. Faz tempo que não sei o que é dividir minha solidão com as paredes. Eu a quero agora. Quero pensar, quero escrever, quero sorrir sozinha e não ter que estar bonita, não ter que vestir com a melhor roupa. Apenas me sentir a vontade, me sentir descansada e refletir sobre meus planos e me adentrar nos meus objetivos de forma intensa. Não quero que pensem que isso é estar deprimido, é apenas conectar com os meus sentimentos mais íntimos. E amanhã, depois, ou qualquer outro dia, quem sabe? O calor dos amigos, os sorrisos, as vozes e os murmurinhos das vozes tenham mais sentido mais tarde novamente? Sou assim, alguém que está sempre mudando, sempre precisando de algo novo, sempre... E agora, eu quero um pouco do silêncio um pouco do chá, um pouco da cama, um pouco de bobagens infantis, quem sabe... Não sei o que busco, se busco alguma coisa, mas hoje... Hoje é o silêncio que eu desejo.

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Recorte diminuto

Posted by Diana Magnavita on 15:56
Quase me perdi. Esqueci quem eu era, o que precisava fazer. Vi-me sem coragem, sem palavras, quase moribunda! Eu, antes, não tinha medo e sentia que podia ser dona do mundo. ANTES! ANTES. ANTES... Eu era quase pura, quase suja, estava rodeada de sonhos possíveis e reações desesperadoras.
Como o lado obscuro pode ter tido vantagens? Como correr contra os cacos de vidro que fincam na pele pode ter tido seu retrato de ternura? E eu consigo me enxergar em cada detalhe, mais apática, machucada... Tentando me erguer e tentando sorrir, quase que sem vontade.
Essa necessidade ansiolítica de produzir, de abrir a boca, de gritar, de dizer a todos no mais mal educado possível estilo – FODA-SE! Eu estou aqui! Eu não quero ser a sua queridinha! Nem preciso disso... Sou autossuficiente, posso me resolver com minhas próprias mãos... Isso não implica que eu não teria brilho nos olhos caso surtisse em você admiração por mim. Não estou me fechando para o mundo, pelo contrário, quero ser possuída por ele e tenho dito.
Mundo, me coma! Devore-me! Antropofagicamente, falando. Quero que degluta cada pedaço meu.  Desejo estar inserida, respeitada! Impus-me ao mundo para que ele me coma do jeito certo! Só isso...  O cansaço nos torna fraco, eu não quero ser fraca! Eu não quero ser frágil... Eu não sou frágil e não estou sujeita a me partir em mil pedaços, caso adversidade tente me engolir... Eu lutarei bravamente com ela e não estou disposta a morrer na praia!
Não vou negligenciar minhas oportunidades e não vou me subestimar... Acabei de engolir um rei e ele se encontra em minha barriga e para removê-lo, você precisa destruir meus anseios, mas as vozes desnecessárias não me atingem mais e nem me ferem mais, porque elas são reflexos da minha covardia e hoje, agora, nesse exato momento, mais uma vez, eu morri e renasci das cinzas, mais forte, mais justa, mais fugaz, sem ressentimentos e pronta para a batalha contra meu pior adversário: supereu.
Consegui enxergar todas as minhas quedas, cada uma delas, e como consegui me reerguer depois da tempestade. Quantas perdas? Quantos ganhos? De forma pessimista, eu poderia me fazer de mocinha sofredora e dizer que foram maiores as derrotas, mas não! Eu tenho sorte! Muita sorte, na verdade! Eu só preciso acreditar em mim e encontrar forças para seguir nessa barca até o fim.
Se você alguma vez já perdeu a força para lutar pelos seus sonhos, toma energético!  Ser teimoso, persistir, mesmo que pareça um erro é melhor do que viver lamentando a eterna falha da desistência. Sigo meu caminho, minha existência e se eu morrer... Que seja tentando.

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Solilóquios

Posted by Diana Magnavita on 09:03


Caros,


Toda vez que tento me explicar, eu me arrependo do que disse anteriormente.  Sou impulsiva a ponto de nem eu mesma entender o porque daquilo que disse e às vezes se justificar pode não ter tanta importância. É simples, eu vejo tudo como algo simples que permeia minha verdade. Verdade essa, que nem eu mesma consigo encontrar. No momento tudo parece tão claro, mas com o passar do tempo, uma onda de pensamentos me fazem perceber que tudo o que aconteceu foi uma ilusão causada por minha ansiedade.
O que busco da vida? O que busco dos outros? O que procuro todo o tempo, quando na verdade pareço não estar procurando nada? Vivo com fome de ”sincericídio”, de intensidades e ao mesmo tempo sinto uma necessidade de me manter no superficial, mas o superficial é chato, é raso demais para alguém como eu. Alguém curioso que, como Alice, não pensa duas vezes antes de se jogar na toca do coelho, sem saber onde aquele caminho vai levar. Mais ou menos por isso que procuro focar, numa tentativa, muitas vezes falha, de manter essa ansiedade escondida de tudo. Nem sempre é possível, ela dá aquelas escapulidas e depois me mata de vergonha! É sempre assim, fato.
Existem coisas em minha vida que não consigo explicar, que não consigo encarar de frente e dizer: Fiz, porque quis. Me senti bem assim e etc. Não! Eu fico frustrada porque aquilo era o que eu queria no momento, mesmo que esse momento dure dois anos, e depois me envergonho por ser diferente, que por mais que eu tente seguir a partir de então o convencional, eu estarei marcada com aquele acontecimento. E se revelo  me sinto despida, me sinto frágil por ter me exposto a tal ponto.
Meus segredos precisam ser mantidos para que eu não me frustre, mas alguns segredos precisam ser revelados para que me sinta compreendida, mas aquilo mancha, marca, como tatuagem e me faz sentir menos esperta, menos confiante, menos semelhante, mais estranha. Uma pessoa que foi marcada por algo, que ainda que não seja proibido, ainda que não seja humilhante ou errado, se sente como se tivesse cometido um crime, um pecado imenso, uma anormalidade e prefere tentar apagar. Em algum momento isso vem à tona e mais uma vez sinto vontade de sumir para um lugar onde ninguém me conheça e eu possa esquecer quem fui nos últimos dois anos.  Como se tivesse esse poder.
Uma nova possibilidade de enxergar foi aberta em minha consciência, mas nem mesmo eu aceito, até mesmo eu me confundo, mesmo eu grito comigo mesma pedindo que tudo seja apenas um pesadelo e quando eu acordar tudo estará em seu devido lugar e por outro lado, me recordo, o quão feliz estive durante esse tempo, o quanto descobri sobre mim e sobre outras pessoas. O quanto descobri sobre se arriscar sem medo das consequências e no final eu me arrependo do que aprendi, eu me envergonho do que descobri e me perco numa tentativa de esmagar tudo que passou como forma de me sentir mais normal e abafar minha covardia.
Acredito que estou sufocada demais para pensar algo. Quero dar um foda-se e dizer que escolhi o caminho que me sinto confortável e se de repente ele mudar não terei receio, mas eu prefiro manter tudo do jeito que está. 

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